Categoria: Entrevista

Entrevista com uma gastroplatizada

Gordinhas lindas: Faça uma pequena descrição pessoal.

Cici :_Meu nome é Joseli Mendes mais conhecida como Cici. Tenho 34 anos e moro em Salvador – Bahia.

Gordinhas lindas: Qual o maior motivo da cirurgia redução de estômago, vaidade ou saúde ?

Cici: _Pela saúde, tinha muitas coormobidades como, artrose, coluna, pressão muito alta , cansaço ,inchaço nas pernas.

Gordinhas lindas: Qual seu peso máximo ?

Cici: 192 quilos.

Gordinhas lindas: Nos conte sua historia.

Cici: _ Havia 4 anos que estava na fila para fazer a redução do estômago, pois precisava perder peso e nunca conseguia. Quando o cirurgião me disse que só me operava se eu perdesse 30 quilos, sai de lá decidida a fechar a boca. Com a ajuda da nutricionista do hospital e sua dieta pastosa e liquida, e uma milagrosa sopa de legumes, consegui perder 9 quilos em 7 dias, não é ilusão perdi mesmo. E com 38 quilos a menos fiz a minha cirurgia na data 03/09/2008. Fui operada com 154 quilos.

Gordinhas lindas: E hoje ?

Cici: _ Estou gastroplatizada a 120 dias , e perdi 19 quilos. Logo peso atual 135 quilos. Feliz e realizada.

Gordinhas lindas: Deixe um recado para nossas leitoras.

Cici: _ Tenho certeza que tem várias pessoas assim como eu, sofrendo há anos para emagrecer, e acho que a solução é redução do estômago (no meu caso foi). Quero que saibam que antes de tudo temos que ter determinação e força de vontade.

Pois a obesidade mórbida é uma doença, eu que diga.

Boa sorte a todos.

Ser uma modelo plus size

Nome: Nelaine Gonçalves da Silva
Idade: 26 anos
Cidade: São Paulo
Contatos para trabalho: 11 77115138 / 22544909
Como surgiu à vontade de ser modelo, o que te inspirou:
Sempre tive vontade de ser modelo, aos 13 anos fiz um curso de modelo de passarela mas nada profissional, aos 17 fiz um book profissional para trabalhos mas como mesmo magra sempre tive quadris largos e seios fartos não me enquadrava no perfil de modelo em 1997 ano em que fiz o book. Hoje sou casada e tenho um filho e depois da gestação não voltei ao meu corpo de adolescente e como sempre elogiaram a minha beleza apesar do “peso” procurei mesmo depois de gordinha algum trabalho como modelo que aceitassem a minha forma física, através da internet comecei a achar modelos gordinhas lindíssimas e elas me inspiraram .
Quem mais te apoio para seguir:
Não tive apoio de ninguém, as pessoas têm a mente fechada e não imaginam que uma mulher gordinha pode ser modelo.
Tem alguma outra profissão, paralela:
Sim, trabalho em uma empresa Telecomunicações.
Já sofreu algum preconceito pelo seu tipo físico:
Vários, inclusive de familiares que me diziam que não arrumaria emprego em lugar nenhum por estar gorda.
O que é ser Modelo Plus Size para você:
Hoje vemos nós modelos Plus Size como verdadeiras guerreiras, pois lutamos primeiramente contra um preconceito interno que a sociedade nos impõe, e lutar contra a balança, dificuldade para comprar roupas, olhares preconceituosos, catracas de ônibus que nos travam e nos torna sim, merecedoras de cada trabalho e elogios recebidos.
Qual é o conselho que você dá para quem está iniciando a carreira:
Apaixone se por você mesma primeiramente, só se amando e se impondo é que o mundo nos respeitará e nunca desista dos seus sonhos.

 

Escrito pela colunista Samis Yashima.

Gordinhas na dança do ventre

Fale sobre vc:

Sou Maria Helena de Oliveira, tenho 40 anos, sou gaúcha, formada em ciências econõmicas e adoro dançar.

Defina a dança do ventre:

É um processo de auto conhecimento para a mulher, resgata a importância do papel feminino no equilíbrio da energia do universo, mexe com muitos sentimentos femininos que muitas vezes estão esquecidos, adormecidos, por causa do nosso jeito ocidental de viver, aprendemos novos conceitos de beleza, atitudes. A dança do ventre ajuda a melhorar a postura, ensina a apreciar suas características únicas, os movimentos da dança promovem uma massagem em vários órgãos internos, como útero, estômago, intestinos, provocando até um melhor funcionamento destes, aliviando sintomas da tpm, aliviando cólicas menstruais e sem falar dos benefícios psiquícos, como o resgate da auto estima, a valorização do feminino, o respeito ao próprio corpo.

 Sofreu discriminação ?

Já senti muitos olhares estranhos, pois aqui no brasil vivemos sob padrões ocidentais de consumo, que valorizam a juventude, o corpo sarado, tudo igual, tudo padronizado… Mas nunca dei muita bola prá isso, pois sei que os padrões orientais, que é de onde surgiu a dança do ventre, são bem diferentes, e valorizam a mulher mais experiente, e o padrão de beleza é mais arredondado, então, quem me discriminar é porque não conhece a essência da dança do ventre.

 Existes muitas gordinhas ?

Acho muito raro ver gordinhas dançando, aqui em porto alegre, pelo menos, as meninas sentem-se muito envergonhadas em mostrar seus corpos arredondados, pois na nossa sociedade o gordo é visto com maus olhos, como alguém que não se cuida, que é um fraco, etc… Muitas gordinhas acham que antes de começar a dança do ventre, têm que se preocupar em emagrecer antes de dançar. Eu acabo sendo um ícone para muitas meninas, acabo inspirando muitas gordinhas a seguirem o mesmo caminho, fazerem o que gostam. nas apresentações, ainda são poucas gordinhas participando.

 

O que mudou na sua vida ?

Aprendi a amar meu corpo, a apreciar minhas curvas, a enxergar além do que está simplesmente à vista, e que toda a mulher é bela, e que não precisa se encaixar em algum padrão de beleza que não seja o seu. Tenho cuidado mais de mim mesma, ando sempre com unha feita, aprendi a me maquiar, embora não use muita maquiagem no dia a dia, mas já sei como ressaltar minha beleza, passei também a ter mais cuidado com minha postura, minhas atitudes, pois acabei me tornando uma referência para muitas mulheres que achavam impossível fazer dança do ventre, ou por terem mais idade, ou por serem gordinhas, e isso traz responsabilidades, realizei meu sonho de ser bailarina, pois sempre gostei de dança, aprendi a me valorizar mais, a não aceitar desrespeito nem discriminação. Ontem comecei a fazer um trabalho voluntário no meu local de serviço, passando adiante o que já aprendi na dança do ventre para minhas colegas, e é muito gratificante ver os resultados!

Onde posso fazer ? Quanto custa ?

Aqui em Porto Alegre já temos várias alternativas, posso citar a minha escola, a escola Mahaila Adma. O custo varia de 80 a 150 reais por mês.

Ser uma modelo plus size

Uma entrevista com Adriana.

Nome: Adriana
Idade: 23
Cidade: São Paulo
Contatos para trabalho: e-mail: sovietica1@hotmail.com
Como surgiu à vontade de ser modelo, o que te inspirou:
Primeiramente as modelos que já trabalham como Plus Size e também o crescimento neste mercado.
Quem mais te apoiou para seguir: Minha família
Tem alguma outra profissão, paralela: Trabalho na área artística e também na área da minha formação (exatas).
Já sofreu algum preconceito pelo seu tipo físico:
Preconceito não, mas principalmente em trabalhos e testes fora do “Plus Size”, sempre tem algum comentário do tipo: “Se você emagrecer conseguirá mais trabalhos…” “Você é tão bonita porque não emagrece?”. Coisas do tipo.
O que é ser um Modelo Plus Size para você:
Para mim é uma grande conquista, após engordar pensei que estaria fora do mercado, mas ao contrário, consegui ótimas oportunidades, a mais recente como assistente de palco na MTV, por exemplo, entre outros trabalhos. Só é uma pena que o modelo Plus Size ainda não seja tão reconhecido e as oportunidades ainda não sejam muitas.
Qual é o conselho que você dá para quem está iniciando a carreira:
Paciência e muita força de vontade, como eu disse, as oportunidades não são muitas, mas tenho certeza que este mercado vai crescer e sendo assim, desejo muito $ucesso a todas nós.

 

 Escrito pela colunista SamisYashima .

Depoimento de uma gordinha…

Gordinhas Sedutoras: Fale um pouco sobre a foto.
Esta sou eu, Marina Oliveira de Souza, ou melhor, esta era eu, com 145kg, até que fosse realizada a gastroplastia (cirurgia de redução do estômago).
 

Gordinhas Sedutoras: Como você era quando nasceu?
Você  está curioso(a), não é mesmo? Então, vou contar para você a minha história, a história de uma gordinha. Bom, sou de uma família de três irmãs. Fui o menor bebê entre nós três. No entanto, com os passar dos anos, fui crescendo e, consequentemente, engordando!

Gordinhas Sedutoras: Você sempre foi uma pessoa gorda? Quais os apelidos que já lhe foram atribuídos?
Sempre fui uma criança gorda e, é claro, qual criança gorda não sofre ao ser chamada de baleia, de gorda, e de muitos outros apelidos perjorativos? Sabe como eu reagia? Da pior maneira possível: socando todo o mundo. Assim me tornei pré-adolescente, adolescente e jovem.

Gordinhas Sedutoras: Como era para você ser gorda? Como você se sentia?
Você talvez não consiga imaginar o que é ser uma adolescente e uma jovem gorduxa: você está na época das descobertas e eu não conseguia ter uma vida” normal”. Quando percebi, que “não estava vivendo” entrei literalmente em crise. Alguma coisa eu tinha que fazer. Sentia que “eu não estava vivendo” nada do que me era de direito para a minha idade.

Gordinhas Sedutoras: Você já tentou fazer alguma dieta?
Fiz muitas dietas, sem êxito.

Gordinhas Sedutoras: Como ficou sabendo da existência da gastroplastia?
Um dia fiquei sabendo que uma prima minha tinha feito a gastroplastia e vimos os resultados de forma tão imediata que logo meu pai também fez a cirurgia. Parecia a solução para todos os problemas relacionados à obesidade.

Gordinhas Sedutoras: Conte como foi sua experiência ao tentar realizar a gastroplastia pela primeira vez.
Foi aí que, aos 17 anos, tentei, pela primeira vez, realizar a gastroplastia. Imagine: eu tenho 1,70 de altura e já cheguei a pesar 145 quilos, ou seja, minha obesidade já era considerada mórbida. No entanto, para minha tristeza, meu plano de saúde não aceitou informando que eu era nova demais.

Gordinhas Sedutoras: Você desistiu de fazer a gastroplastia?
Não. Aos 19 anos tentei novamente e consegui. Realizei a gastroplastia.

Gordinhas Sedutoras: Como se sentiu ao realizar a gastroplastia?
No início fiquei muuuito feliz. Tinha sido uma grande conquista. Uma grande conquista por ter passado dois anos em tratamento com uma psicóloga, uma nutricionista e um endócrino (tudo para ver se minha cabeça estava preparada para o procedimento) e principalmente por ter sobrevivido à cirurgia (trata-se de uma cirurgia de risco).

Gordinhas Sedutoras: Como foi seu pós-operatório?
Terminada a cirurgia eu fiquei quatro dias internada. Eu não pude nesses quatro dias colocar nada na boca, nada mesmo: nem uma gotinha de água. Depois do quarto dia fui para casa.

Gordinhas Sedutoras: Como passou a se alimentar após a gastroplastia?
Passei a tomar 30ml de qualquer líquido de meia em meia hora. Fiquei um mês assim. Depois passei para o pastoso. Lá se foram mais quinze dias.

Gordinhas Sedutoras: Como seu corpo reagiu ao se alimentar desse jeito?
Sabe, eu não me sentia bem. Não me sentia bonita ou atraente. A gente vai para a cirurgia com uma falsa impressão: a gente acha que depois da cirurgia a gente vai sair do hospital magra, e não é bem assim. A gente tem muito trabalho depois da cirurgia.

Gordinhas Sedutoras: O que foi mais difícil para você após a gastroplastia?
O mais difícil é que a gente não pode comer demais, não pode comer nada muito gorduroso ou muito doce. Tem alguns alimentos que a gente não pode comer de jeito nenhum até mesmo depois de anos se operada. Vou te dar um exemplo: tenho síndrome de dummping (é quando o açúcar cai muito rápido na corrente sanguínea, aí você sente uma  aceleração no coração e fica com um mal estar muito grande) e não consigo mais comer chocolate, não posso comer muito queijo, etc.

Gordinhas Sedutoras: Descreva algumas conseqüências não muito boas da gastroplastia.
São muitas as conseqüências não muito boas advindas da cirurgia de redução do estômago. Vou citar algumas: hoje em dia estou com pouco ferro no meu corpo, estou com falta de algumas vitaminas, meu organismo não absorve mais a vitamina b 12, meu cabelo cai com muito mais freqüência, minhas unhas são fracas (com o tempo isso vai parando) e eu vou ter que tomar remédios para o resto da vida.

Gordinhas Sedutoras: Descreva algumas conseqüências boas da gastroplastia.
Mas também há conseqüências muito boas e elas superam as dificuldades que tenho e terei. Vou citar algumas: minha auto-estima melhorou muito,  estou bem mais confiante, eu me sinto bem, me sinto “normal”, uso roupas tamanho M ou G que são encontradas em quase todas as lojas e nunca me arrependerei de ter feito a cirurgia principalmente porque se não fosse a cirurgia eu não saberia se viveria até os meus 30 anos.

Gordinhas Sedutoras: Você recomenda que outras pessoas façam a gastroplastia?
Eu recomendo sim a cirurgia, apesar de tudo o que citei acima. No entanto, apenas para as pessoas que têm obesidade mórbida ou que a obesidade esteja causando problemas sérios de saúde. Não se tratando apenas de uma questão estética, mas, principalmente, de uma questão de saúde.

Gordinhas Sedutoras: Fale um pouco sobre a foto.
Esta sou eu, Marina Oliveira de Souza, 22 anos, estudante de história da Unisul, em Laguna – SC, solteira, com 90 kg, linda e feliz =D.