Categoria: Entrevista

Fabiana Karla: ‘No Rio, o gordo é mais discriminado do que o negro’

Ela fala sobre o preconceito contra gordos e sua próxima peça.

No dia 24 de setembro, Fabiana Karla, 33 anos, conhecida por papéis cômicos como o da doutora Lorca, do “Zorra Total”, vai encarar o desafio de fazer o seu primeiro drama no teatro. Ela será Helena, protagonista da peça “Gorda”, de Neil Labute, que é bem resolvida com seus quilinhos a mais, mas passa a ser alvo de preconceito ao se envolver com um homem magro.

Apesar da identificação com a personagem por causa de sua forma física, esse tipo de drama nunca passou perto da vida de Fabiana Karla.

Você sempre foi gordinha?
Sempre, desde criança. Teve uma época na minha vida que a vaidade aumentou, na adolescência. Com uns 16 anos, consegui me manter com uns 60kg. Mas depois que tive meus três filhos – tenho uma filha de 12, uma de 11 e um menino de 9 anos – ficou difícil, não tinha como não ficar gordinha, até porque tenho tendência para ganhar peso.

Teve dificuldades para arrumar namorado por causa de sua forma física?
Antes de casar, sempre namorei bastante e sempre tive namorados muito gatinhos. Eu era do tipo que levava os meninos no papo. Quando um rapaz estava me paquerando, eu nunca piscava de volta porque senão tava arriscado ele dizer: “Olha aquela gordinha fazendo careta?” Mas quando alguém me olhava e ía baixando o olhar para dar uma conferida no material, eu sacudia o cabelo e fazia alguma coisa para o olhar subir. Às vezes, ficava com o pescoço duro de tanto balançar cabelo, mas voltava para casa com o telefone do gatinho. Nunca namorei feio. Eu peguei legal (risos).

Já fez muitas dietas?
Já, mas tenho uma coisa que é o fato de eu gostar de me olhar no espelho e ver como eu sou. Sou muito vaidosa. Adoro o meu cabelo, faço unha, adoro a minha pele hidratada. Não adianta você ser magro e mal cuidado. Prefiro ver que minha pele é bem cuidada. Deixo de comer certas coisas porque isso vai se refletir na minha pele, mas não por causa do meu corpo. Minhas duas irmãs, que são gêmeas, fizeram cirurgia de redução de estômago, e eu tenho dez mil pessoas que me ligam todos os dias para oferecer essa cirurgia, como se fosse a salvação da minha vida. Se eu quisesse, já teria feito. Mas é uma questão minha. Não ficaria feliz de me olhar no espelho e não me ver assim, como sou. Seria como se eu estivesse murcha. Agora é claro que eu queria voltar a ter dois dígitos na balança, porque eu estou com três (risos). Mas por questão de saúde mesmo. Mas não faço apologia à gordura, só quero que as pessoas se aceitem como elas são.

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Fonte: Ego Globo.com

Entrevista com a modelo plus size Andrea Boschim.

Gordinhas lindas: Como você começou a sua carreira como modelo? Quanto tempo faz?
Andrea Boschim: Tudo começou no final de 2003 num concurso promovido pelo site CriaturaGG , o WebGGGirl. Era um concurso de beleza pela internet, e eu venci 72 candidatas. A partir daí comecei a ser chamada para trabalhos através desse site.

Gordinhas lindas: O que você acha do mercado da moda em relação a modelos plus size? Você sente que existe preconceito?

Andrea Boschim: Tento pensar como modelo e como consumidora. Como consumidora acho que as marcas de tamanhos grandes estão cada vez mais preocupadas em oferecer roupas de qualidade, com as tendências ditadas pelas grandes semanas de moda do mundo, adequando essas tendências ao biotipo da mulher gordinha. Como modelo às vezes eu custo a entender a razão das lojas procurarem modelos 42/44 para serem as modelos de suas campanhas… Acredito que quem está acima do peso se identifica com uma marca ao ver que a modelo também tem curvas, barriguinha, culote… E que ainda assim pode ficar linda.

Gordinhas lindas: O mercado Plus Size é mais em São Paulo ou existe mercado também em outros estados?

Andrea Boschim: É inegável que São Paulo está bem evoluído no mercado de moda plus size… Mas vejo pólos se formando no sul e nordeste do país. E o que é mais bacana: respeitando os gostos regionais. Isso é ótimo para todos… mas a médio e longo prazo, pois espero que essas marcas cheguem ao sudeste, e que as marcas do sudeste se espalhem pelo país.

Gordinhas lindas: Qual a dica que você dá para quem está começando a carreira? O que se deve fazer para ser uma modelo plus size, quais os passos ?

Andrea Boschim: Primeiro de tudo, você só é uma modelo plus size se já fez algum trabalho nessa área… O que eu tenho visto é que toda gordinha com um rosto bonito se autodenomina “Modelo Plus Size”. Eu mesmo depois de 06 anos não coloco isso no meu Orkut… Sei que o mercado ainda está se organizando, que há uma porção de agências surgindo, e na ânsia de ser chamada logo para um primeiro trabalho, dá vontade de se inscrever em todas as agências disponíveis… Mas se olharmos atentamente para o mercado de modelos magras, é possível perceber que elas ficam em uma única agência… Digo isso porque imagino o cliente recebendo 4, 5 vezes o mesmo composite… Se for o perfil que o cliente quer, ele vai ter que decidir por qual agência vai chamar a modelo, mas se não for o perfil que ele procura, recebeu material demais de uma modelo que não serve para esse trabalho… Não estou em agência nenhuma, então não posso dizer quais as que trabalham direitinho, mas minha dica é que você visite pessoalmente a agência antes de decidir compor ou não o casting da mesma.

Sei que algumas agências oferecem o serviço de book, que é essencial para quem quer ser modelo.

É importante também saber que a apresentação num casting é decisiva para pegar ou não um trabalho. Modelos plus size precisam de uma boa lingerie de sustentação… Eu sou fã dos bodys que dão uma leve comprimida no seu abdome e deixam as nossas gordurinhas excessivas escondidinhas… Mas, além disso, é bom estar com as unhas feitas, nem que seja com uma base, uma maquiagem leve, uma roupa básica… a dupla jeans e batinha não falha nunca! E se você não for adepta de um salto alto, leve um a tiracolo…

Persistência, humildade, carisma, simpatia e disponibilidade também são um diferencial que uma boa modelo deve ter.

Gordinhas lindas:  Como você sente a reação do público em relação a seu trabalho?

Andrea Boschim: Eu amo!! Percebi que eu tinha um público pro meu trabalho quando participei do Melhor do Brasil, no concurso “A Gordinha Mais Sexy do Brasil” em 2006. O carinho, a identificação, as palavras de apoio, os pedidos de ajuda… Fizeram eu enxergar que mais do que ganhar ou não dinheiro trabalhando como modelo, eu tinha uma missão: de mostrar que é possível ser bonita, mesmo sem se enquadrar nos padrões impostos pela mídia, e mostrar para as pessoas que precisamos nos gostar e nos aceitar como somos, e melhorar aquilo que não nos agrada, mas que qualquer mudança seja feita motivada por vontade própria e não porque outra pessoa espera que a gente mude. E isso não se aplica só ao peso que temos… vale para todas as áreas da nossa vida!

Gordinhas lindas:  A que você atribui seu sucesso? Quais suas qualidades profissionais?

Andrea Boschim: Minha melhor amiga diz que sou o conjunto da obra… Não bastaria ser só bonita… há muitas gordinhas bonitas atuando como modelo. Então tento ser o mais prestativa possível, me dôo para o trabalho. Sou sempre muito simpática e paciente, muito embora não tenha a paciência como minha maior virtude… Comigo não tem tempo ruim, não me apego a detalhes… Se tenho que fotografar um look que não gosto muito, me dedico tanto quanto um look pelo qual me apaixonei. Tento conhecer o cliente… se tenho abertura dou minhas sugestões, se não tenho, faço meu trabalho e sigo atentamente o que me é pedido. Só não gosto que me enrolem… O que é combinado, não é caro, então gosto que deixem claro tudo o que esperam de mim num trabalho, para eu poder aceitar ou não, antes do trabalho acontecer… mudanças encima da hora geralmente me incomodam… E dependendo do que me pedem, eu até faço, mas deixo claro que numa próxima vez, quero ser avisada antes!

 

Gordinhas lindas:  Trabalhar como modelo plus size fez com que você mudasse a imagem sobre si mesma?

Andrea Boschim: Eu não lembro de ter tido grandes problemas com minha imagem… quando achei que estar acima do peso era um problema, fiz dieta e emagreci… Com o tempo engordei de novo, e aí desencanei… cuido da minha saúde, tenho metas de emagrecer quando eu for engravidar, mas por enquanto estou feliz assim!

Gordinhas lindas:  O cachê de modelo plus size é bom? Existe alguma diferença de cachê em relação a modelos magras?

Andrea Boschim: Para aparições em televisão o cachê é o mesmo. Mas para feiras e catálogos a diferença é bem grande. Mas acredito que com o tempo vai haver um nivelamento de cachês.

Gordinhas lindas:  Você e a Renata, do Blog Mulherão, estão fazendo o “DIA DE MODELO”, fale um pouco pra nós desse evento, afinal, é uma grande iniciativa de vocês!

Andrea Boschim: A Renata é uma pessoa maravilhosa, e a idéia do dia de modelo é totalmente dela… Eu fiquei muito honrada com o convite pois pude mulheres comuns, com o sonho de se tornarem modelos, ou simplesmente procurando ter fotos bonitas para guardar e mostrar para familiares e amigos, a ter a real dimensão do que é uma sessão de fotos… Com os prós e os contras… Assim quem quer ser modelo já sabe o que esperar pela frente, e prá quem não almeja essa carreira, ficou o gostinho de poder ser uma top por um dia!

Gordinhas lindas:  Que conselho você, como uma grande e reconhecida profissional no mercado plus size, daria para as modelos que estão começando agora?

Andrea Boschim: Paciência meninas… Controlem a ansiedade… Casting faz parte do aprendizado na carreira de modelo… os “nãos” que a gente recebe também… Mas quem tem um sonho não pode se abater no primeiro obstáculo, então “força na peruca”, gloss e sorrisão estampados no rosto e muita garra!!! O mercado está crescendo e é natural que aumente a procura por modelos… Um dia a sua hora chega!

Entrevista realizada pela colunista Graziela Barros.

Entrevista com a modelo plus size Bianca Raya

Gordinhas lindas: Como você começou a sua carreira como modelo? Quanto tempo faz?

Bianca Raya: Eu comecei a minha carreira de modelo plus size em 06/05/2007, lembro-me bem pois era aniversário da minha mãe e o dia em que eu tinha um ensaio para a chegada do Papa Bento XVI no Brasil para o Encontro com a Juventude. Eu sempre almejei ser modelo, mas nunca tive nem a altura e nem o peso necessário para tanto e então acabou ficando um sonho meio deixado para trás. Até quando minha mãe leu uma matéria na Revista AnaMaria em 2006 sobre o site Criatura GG e falou para eu e minha irmã nos inscrevermos. No mesmo dia estávamos inscritas. Pouco tempo depois recebemos um “convite” para participar de uma matéria, mas só lemos o e-mail depois do “evento”. Ficamos decepcionadas e esquecemos. Foi quando no ano seguinte recebemos outro e-mail do Criatura GG para participarmos de um teste de fotogenia que ocorreria no Parque da Luz. Por conta do meu compromisso pedimos para sermos as primeiras e eu amei ser clicada, mas ficou ali. Era um domingo, na segunda quando minha irmã abriu o site a capa era eu!!! Fiquei muito feliz e comecei a investir na carreira! Não só nela, pois sou também jornalista.

Gordinhas lindas: O que você acha do mercado da moda em relação a modelos plus size? Você sente que existe preconceito?

Bianca Raya: O mercado da moda para modelos plus size em minha opinião está em franca expansão, mas ainda engatinhando. Preconceito sempre existe, mas sou mais eu!

Gordinhas lindas: Qual a dica que você dá para quem está começando a carreira? O que se deve fazer para ser uma modelo plus size, quais os passos ?

Bianca Raya: A minha primeira dica é se inscrever no site Criatura GG e depois ter muita perseverança e caráter para não passar por cima das pessoas, pois existe espaço para todas. Não somos todas altas e magras, mas sim algumas com seio grande, outras pequeno, umas com quadris largos, outras menores, algumas com caras de menina, outras com cara de mulher e cada cliente sabe o que quer.

Gordinhas lindas: Como você sente a reação do público em relação a seu trabalho?

Bianca Raya: Ah se eu falar que sou modelo logo tenho que completar a frase: De tamanhos especiais! A maioria se interessa, pois desconhece essa fatia do mercado.


Gordinhas lindas: Você tem alguma modelo em que se espelha?

Bianca Raya: Gosto bastante do trabalho da Andrea Boschim, da Mayara Russi, da Giuliana Fracarolli e outras.

Gordinhas lindas: Quais os cuidados que uma modelo deve ter?

Bianca Raya: Estar sempre com as mãos, pés e cabelos impecáveis.

Gordinhas lindas: A que você atribui seu sucesso? Quais suas qualidades profissionais?

Bianca Raya: Atribuo ao meu caráter, que é uma das minhas principais qualidades profissionais. Sou também bastante comprometida.

Gordinhas lindas: Trabalhar como modelo plus size fez com que você mudasse a imagem sobre si mesma?

Bianca Raya: Na verdade, não, mas me aceito bem melhor agora.

Gordinhas lindas: O cachê de modelo plus size é bom? Existe alguma diferença de cachê em relação a modelos magras?

Bianca Raya: O cachê plus size é cerca de 50% do das modelos magras.

Gordinhas lindas: Que conselho você, como uma grande e reconhecida profissional no mercado plus size, daria para as modelos que estão começando agora?

Bianca Raya: Para serem amigas umas das outras, mas amigas de verdade, sem inveja e falsidade. Pois neste meio falta união. É como eu disse numa pergunta anterior… Há espaço para todas e quem nos rege é Deus… o Criador no Universo… não há ninguém melhor do que ele para decidir de quem serão os trabalhos e qual a trajetória de cada uma. É preciso lutar, perseverar, ser simpática, fazer contatos, mas nunca passar por cima de outros. Devemos nos amar… afinal somos todos irmãos. Parece fácil falar, mas fica bem mais fácil viver e ter sucesso quando começamos a colocar o amor em tudo o que fazemos.

Entrevista realizada pela colunista Graziela Barros.

Entrevista com a modelo plus size Simone Fiuza

Gordinhas lindas: Como você começou a sua carreira como modelo? Quanto tempo faz?
Simone Fiuza: Quando pequena uns cinco, seis anos fazia propagandas, comerciais, fotos, pois era a criança gordinha bonitinha… rs E na escola sempre que perguntavam o que eu gostaria de ser prontamente desenhava uma passarela e estava lá eu desfilando, era motivo de chacotas na sala de aula. Cresci com vergonha disso, um pouco traumatizada. Até que em 2005, descontente com o meu trabalho em uma empresa multinacional, sai de lá com o propósito que faria algo que me fizesse feliz, sendo na área televisiva, jornalística (afinal cursava faculdade de jornalismo), não sabia bem. Foi quando um belo dia vi na TV que existiam modelos gordinhas fora do país, na mesma hora fui pra internet pesquisar e por fim vi meu sonho se realizar, ai fui atrás de lojas, agencias, clientes, produtores de TV e tudo mais e comecei a trabalhar e não parei mais, graças a DEUS! Isso faz quatro anos!

Gordinhas lindas: O que você acha do mercado da moda em relação a modelos plus size? Você sente que existe preconceito?
Simone Fiuza: Sim existe e muito! Muitos clientes ainda preferem uma modelo 38 estampando o catálogo destinado a nós Plus. É bem complicado! Quando eu vejo um trabalho que deveria ser nosso, por uma modelo “magra” me deixa de certa forma triste… é como o fabricante vender a idéia de que a mulher gordinha pode vestir bem, bonita, elegante, mas ele mesmo NÃO COMPRA essa idéia!
Sem contar quando temos um grande desfile, uma sessão de fotos com outros modelos, geralmente nos olha de cima pra baixo e muitas vezes como já aconteceu, perguntam: Você é camareira? Você é dona da loja?Poxa, viver do mundo da moda e não saber que existem modelos como nós é demais, neh?! Vamos se informar gente!

Gordinhas lindas: O mercado Plus Size é mais em São Paulo ou existe mercado também em outros estados?
Simone Fiuza: Eu trabalho em São Paulo, onde o mercado é grande, mas faço alguns trabalhos no interior e em outros estados, mas infelizmente grandes confecções, marcas são aqui de São Paulo, por enquanto!

Gordinhas lindas: Qual a dica que você dá para quem está começando a carreira?
Simone Fiuza: Nunca desistir do seu sonho! Se realmente você quer que se torne sua profissão, lute, vá atrás, porque nada cai do céu. Nada nesta vida é fácil, principalmente conquistar um mercado que podemos dizer que está começando, então seja HUMILDE sempre e tenha persistência.

Gordinhas lindas: Como você sente a reação do público em relação a seu trabalho?
Simone Fiuza: A primeira impressão é um susto! rs Quando digo que sou modelo, já explico que sou modelo gordinha ou Plus size, porque geralmente me olham de cima a baixo e devem se perguntar Como essa garota é modelo… rs então já explico! Aí se surpreendem quando vêem meu book, ou se lembram de alguma aparição na tv, ai logo vem o sorriso. Na passarela então é mais divertido, porque o público não imagina uma gordinha desfilando, quando entro olhares assustados, mas vou ganhando o público e até o final da passarela consigo arrancar aplausos!

Gordinhas lindas: Você tem alguma modelo em que se espelha?
Simone Fiuza: Na verdade não, quando comecei dei uma pesquisada sobre modelos plus e não encontrei muita coisa não, mas passei a assistir desfiles convencionais para ter inspiração, como da Gisele, Fernanda Tavares entre outras… mas não são as musas inspiradoras… rsrsrs

Gordinhas lindas: Sonha em fazer carreira internacional?
Simone Fiuza: Já fiz trabalhos internacionais no Chile e um editorial pra Milão, mas nunca sonhei com a carreira internacional. Gosto muito do meu país, do meu povo, gostaria muito de ser reconhecida pelo meu trabalho aqui mesmo, mas até o final deste ano vou dar uma passeada por Nova York e vamos ver o que dá!

Gordinhas lindas: Quais os cuidados que uma modelo deve ter?
Simone Fiuza: Uma modelo vive da sua imagem, então deve ser bem cuidada! No meu caso preciso manter a forma, não posso engordar, nem emagrecer, sou modelo de prova de algumas lojas então as medidas têm que ser sempre as mesmas. Alimento-me bem como frutas, legumes, verduras, tomo bastante água, prefiro o suco de fruta invés do refrigerante, tomo chá branco todos os dias, ajuda acelerar o metabolismo. Também faço caminhadas diariamente 30 a 40 minutos. Faço hidratação a cada 15 dias, limpeza de pele todos os meses e sempre utilizando bons produtos, adoro produtos de beleza tenho um arsenal em casa. Acho que pra ser modelo você deve ser no mínimo vaidosa!

Gordinhas lindas: A que você atribui seu sucesso? Quais suas qualidades profissionais?
Simone Fiuza: Poxa, sucesso? Ás vezes sou reconhecida nas ruas, ou pelo orkut, twitter e acho muito estranho rsrs Quando pedem pra tirar foto comigo, acho que não estão falando comigo e quando me pediram um autografo fiquei tão roxa de vergonha que nem lembrava como escrevia meu nome! hahaha Eu ainda tenho a visão de que quando apareço na tv, só passa na tv de casa! rsrs
Qualidades? Acho que persistência e comprometimento com o meu cliente!

Gordinhas lindas: Trabalhar como modelo plus size fez com que você mudasse a imagem sobre si mesma?
Simone Fiuza: Não mudar, mas ajudou e muito a me aceitar como sou! Sempre fui gordinha e nos tempos de escola sofria por não ter o corpo enxuto como o das minhas amigas, sofria por não fazer tanto sucesso de biquíni, sem contar que sempre tem uma criança maldosa que faz o pior comentário do mundo… rsrs Mas nada que me fizesse sofrer, chorar, não querer sair de casa, pelo contrário sempre fui muito alegre, comunicativa e os namorados? Nunca me faltaram dos mais magrinhos aos malhados…rsrs
Mas querer ser magra todo mundo já quis, às vezes acordava e me olhava no espelho e dizia: poxa poderia ser magra, neh? Achando que o meu mundo seria diferente se eu fosse magra…mero engano! Sou tão feliz assim, como sou!
Gordinhas lindas: Qual a melhor e a pior coisa em ser modelo?
Simone Fiuza: A melhor em ser modelo plus size é o reconhecimento das pessoas vocês não têm noção da procura de adolescentes, crianças “gordinhas” que já vivem encanadas com dietas ficam felizes em saber que existem modelos como elas e passam a se aceitar pelo meu trabalho, é algo indescritível, acho que é a melhor parte do meu trabalho. O pior? Acho que todo trabalho tem um lado ruim, talvez ter que esperar muito nos camarins, mas nada muito grave! rs

Gordinhas lindas: O salário de modelo plus size é bom? Existe alguma diferença de salário em relação a modelos magras?
Simone Fiuza: Não trabalhamos com salários e sim cachês. Os trabalhos que tenho feito sou remunerada como qualquer outra modelo o que difere o aumento de um cachê é a popularidade da modelo muitas vezes, quanto mais conhecida maior o cachê. Um exemplo: Eu e Gisele fotografando, quem ganha mais? não preciso nem dizer! kkkk

Gordinhas lindas: O que a levou a ter uma agência de modelos? Fale um pouco para nós sobre sua agência, como funciona, como ingressar, o que vocês priorizam numa modelo, se existe uma idade limite para ser modelo ou se vocês preferem as modelos mais novas, enfim…
Simone Fiuza: Bom quando os clientes passaram a me procurar como referencia pra indicar modelos, então resolvi montar a GGliter, ainda temos uma estrutura pequena. Para ingressar basta nos enviar foto de corpo e rosto com os dados, medidas (altura, manequim, peso) a maioria mente esses dados que é de extrema importância na hora de enviar ao um casting. Uma modelo deve ter um conjunto harmônico, um rosto bonito, um corpo legal, ser gordinha mas com tudo no lugar. Idade mesmo não existe, mas a idade que mais se trabalha é dos 18 aos 30 anos.

Gordinhas lindas: Que conselho você, como uma grande e reconhecida profissional no mercado plus size, daria para as modelos que estão começando agora?
Simone Fiuza: Bom, tenham Humildade sempre, a inveja deve passar longe de vocês, o sol nasceu para todos! Não desistam porque não é fácil, mas com trabalho, persistência e humildade tenho certeza que vão longe! Beijos e obrigada de coração pelo carinho de cada um que me procura, me elogia, reconhece o meu trabalho! Fiquem com Deus!

Entrevista realizada pela colunista Graziela Barros.

Gordinhas arrasam na dança do ventre

 

 

Não é fácil sair do sedentarismo e permitir se entregar à uma nova arte e a um novo estilo de vida. Para quem tem mais de 100 Kg, se imaginar com uma roupa de dançarina do ventre, se apresentando com charme, sensualidade e elegância, pode ser difícil de se concretizar, um sonho distante. Para Keila Silveira, 28 anos, 1,70m e atualmente 85 Kg, isso é realidade. Há quase três anos ela pratica a dança, quebrou tabus, venceu a depressão, perdeu 15 Kg, e deixou o queixo de muita magrinha caído no chão com sua técnica apurada e movimentos graciosos.

Ela ainda não se considera profissional, faz curso com Lulu Sabogi, que considera uma das melhores professoras de dança do ventre do Brasil, mas já dá aulas e coreografa para grupos em Campo Grande, sua cidade. Keila também é graduada em letras, cursa psicologia e faz pós graduação em gestão de pessoas.

Quer saber mais? Então confira a entrevista abaixo. Quem sabe você não se anima e começa a dançar também?

Como surgiu a vontade de fazer dança do ventre?

Keila – Sempre me interessei pela dança, mas os horários e a situação financeira não me permitiam. Um dia uma amiga me convidou, disse que queria companhia. O convite tinha outros motivos: eu pesava quase 100 Kg, havia acabado de sair de um relacionamento de quase 4 anos, tomava anti-depressivos que detonavam minha libido, não queria mais sair de casa, não sentia prazer em nada, só queria mesmo era chorar, dormir e comer.

 – Como foram as primeiras aulas?

Keila – Eu me sentia ridícula e que todos iam ficar rindo da minha cara. Mesmo com a vontade de fazer a dança, ficava incomodada com o espelho da sala de aula, ia de calça e camiseta. Não houve milagre. Foi só com o passar do tempo que passei a me ver diferente, a me admirar, e foi aí que o mundo mudou para mim.

 – Ser gordinha atrapalha ou ajuda na hora de dançar?

Keila – Já vi pessoas comentarem que as gordinhas são mais lentas, desajeitadas, não têm fôlego para dançar muito tempo e que sofrem dos joelhos. Qualquer pessoa de vida sedentária tem essa dificuldade no começo, gorda ou magra. Sinceramente, o que mais atrapalha é a nossa mente, sejamos gordas ou magras. Se você se empenha, gosta do que faz, algo bom tem de sair daí, nós é que estragamos quando não nos consideramos capazes. Ser gordinha me atrapalhava quando eu me sentia feia, achava que iriam rir da minha dança e tantas outras neuras que eu tinha. Só que ser gordinha deixa alguns movimentos muito mais graciosos, coisas que as muito magras sofrem para fazer aparecer.

 

– Culturalmente, as dançarinas do ventre do oriente são mais gordinhas ou magras?

Keila – Tradicionalmente, os árabes valorizam as mulheres “avantajadas”, é uma questão cultural: sinal de saúde, nobreza e que ela seria uma ótima mãe. Uma das bailarinas mais famosas, Fifi Abdo, tem um corpo lindo, mas não está dentro dos padrões ocidentais e esses, infelizmente, têm influenciado no corpo das bailarinas do mundo todo. Hoje, comercialmente falando, há muito preconceito com as gordinhas. Não importa se arrasam, o que importa é que é gorda. Se é magra, pode ser uma dançarina ruim, mas é magra.

– Você já sentiu preconceito por ser gordinha ao se apresentar?

Keila – Várias vezes, como quando estou entrando e algumas pessoas fazem aquela cara de “o que essa gorda pensa que vai fazer?”. Aliás, adoro desfazer essas caras quando mostro o que sei fazer. Quando comecei, não havia outras gordinhas no studio onde faço, elas foram chegando depois e muitas vinham me elogiar, dizendo que se animaram ao me ver, que não se sentiam bem, afinal, é difícil você ficar num lugar onde não se identifica com ninguém. Ouvi coisas desagradáveis, mas não desisti. Hoje, pouquíssimas vezes sinto algum preconceito, mas aprendi que os outros eu não posso ir lá e mudar, se eu tentar fazer isso, sempre vou me frustrar. Mas se eu mudo a mim, se deixo de fazer me sentindo feia e me entregando de alma e coração, tudo flui, e posso não mudar o mundo, mas se isso influenciar uma ou outra cabecinha vazia e fizer uma gordinha sequer se sentir linda e sensual, já fico feliz.

– Que conselho você daria ás meninas que desejam se iniciar na dança do ventre?

Keila- Dance. Se você sente vergonha ou medo, saiba que o que determina o nosso modo de agir não é a realidade existente, mas aquilo em que cremos e que, para nós, é a verdade. Se sempre pensar “sou gorda, isto não é para mim”, então não vai ser mesmo, não pelos outros, mas porque você acredita nisso. Permita-se viver essa experiência, imagine-se fazendo, é a nossa imaginação que controla o mundo.

Assista a apresentação de Keila no youtube: Clique aqui.

Fonte: Mulherão.