Categoria: Com a palavra

O amor-próprio é revolucionário.

Foto: Naiana Ribeiro.

Em uma sociedade gordofóbica, que rejeita o corpo e a existência da mulher gorda, colocando-a como uma subcategoria de mulher, gostar e respeitar o corpo é um ato de resistência, é revolucionário.

Sair às ruas e enfrentar olhares que nos julgam e nos condenam é resistência. Trabalhar, viver a vida, nos relacionar é resistência, porque em uma sociedade gordofóbica tudo isso é negado a nós. Que resistamos então, por nosso direito a uma existência em que não necessitemos da chancela do outro e de licença para viver.

Resistamos. O amor-próprio é revolucionário.

Por Janaina Calaça.

dica de look

Foto: Taise Assunção.

A modelo plus size Taíse Assunção nasceu em Florianópolis, onde sempre viveu. É casada, tem uma filha, adora cozinhar, ler, conhecer pessoas novas e recentemente descobriu o talento para modelar e fotografar.

Sempre teve habilidades com trabalhos artesanais e com artigos de festas. É empresária da Tatá Laços & Fitas e agora pretende incrementar a carreira de modelo.

Você é gorda!

Hoje presenciei uma cena que mesmo comum na vida de um “gordo” me deixou muito triste, com o coração chorando.

Uma mulher, ao pagar sua passagem, teve uma dificuldade imensa em atravessar a roleta. Seria normal se ela estivesse com uma bolsa muito pesada, ou tivesse algum tipo impossibilidade para passar daquele espaço, mas não a pessoa era “gorda!” A cena me chamou atenção. Entristeceu-me. A mulher questinou com a tal cobradora, informando que não conseguia passar.. Imediatamente a tal cobradora gritou: Você é gorda! ” Viu, gorda, e é por isso que não passa!

Gente, pelo amor de Deus, não é assim que funciona. Não é assim que trata o ser humano.

Hoje em dia muita gente encontra dificuldade nas roletas dos ônibus: lutadores, jogadores, pessoas que malham muito.. Parece que cada dia as roletas se estreitam mais, os assentos ficam menores e a única coisa que aumenta é a passagem!!! E não há uma resposta pra isso.

Não vamos ter medo ou vergonha do que somos, e da forma que nos apresentamos a sociedade. Ela vai ser cruel com você diversas vezes ( gordos, magros, black, brancos, ruivos, negros, gays, trans…) Não se feche para o mundo por causa de ninguém, muito menos de uma roleta!!!

Isso é crime! Vamos denunciar! Tirei fotos de alguns números para fazer a denúncia ( não sei muito bem como isso funciona) nunca fiz isso. Mas eu quero fazer minha parte!

Segue os números :

10186

909033122961

156

118

7140201550

COMPARTILHEM!!!

Linha: Barbalho x Iguatemi ( azul) às 17:00h em Salvador – Bahia

Texto foi postado no grupo Gordinhas Lindas da Bahia.

Escrito por Bibi Galvão.

Não deixem os problemas te vencer!

Bom, na verdade não sei onde quero chegar com estes relatos. Talvez eu possa ajudar alguém que se sente assim como eu me sinto pelo fato de fugir dos padrões. E quando falo de “padrões” não me refiro apenas ao 90-60-90 ou às modelos de asas daquela marca famosa… Eu falo daquele Plus Size mentiroso da mídia e das passarelas, aquele que exibe mulheres sem celulites, espinhas, estrias, culote, entre tantas outras imperfeições que atrapalham a nossa estima como mulheres.

A verdade é que luta-se em favor de tudo atualmente, do direito de ser. Mas o que realmente é ser você mesmo em um mundo em que todos te rotulam? Chego a ver absurdos na internet dizendo que “o feminismo começa dos 100 quilos”, mas peso 123 e não me considero feminista.

Certa vez vi uma imagem em um suposto grupo de humor que mostrava um homem obeso sobre uma balança no consultório do nutricionista e o responsável pela postagem reclamava dos “gordos que não aceitam a verdade”. “Afinal de contas, qual é a nossa verdade?”, foi o que comentei e recebi inúmeros comentários ofensivo, dizendo que eu deveria parar de comer porcaria, que passava meus dias na pizzaria, não me esforçava. Mas a verdade é que ninguém está nas nossas peles para saber o que comemos ou não, entender os problemas por trás da obesidade. Até mesmo a genética ( não creio que nascer com cinco quilos e cinquenta centímetros não tenha me influenciado ), eles não sabem.

Eles não sabem o histórico da criança que não cabia em roupas de criança, que enquanto todo mundo usava roupinha rosa pink com babadinhos e estampas de personagens famosas, ela usava calças jeans adultas cortadas, o manequim 40 aos sete anos. E que quando chegou aos dez já era impossível comprar calças em lojas comuns, pois o 44 não servia mais.

Todo mundo comia em McDonalds e ganhava brindes enquanto eu raras vezes ia nesses lugares. Até hoje é assim. Ninguém além de nós sabe o constrangimento de não passar em uma catraca, como já relatei. Ou de entrar no provador com dezesseis peças de roupas diferentes e devolver tudo ao sair porque nada coube em você.

Quando mais nova tive uma paixonite por um garoto que me dispensou pelo corpo. Pouco tempo depois alguém me quis pelo corpo. Quando essa pessoa me deixou pensei que nunca mais encontraria um amor. Sei que muitas de nós passam pela mesma situação e o que quero deixar escrito é que ninguém verá a sua beleza se primeiramente você não a reconhecer e aceitar. Jamais deixem os problemas da obesidade amargurarem seus sentimento, não fixem-se em emagrecer, dieta, corpão porque na verdade nada disso tem valor se emagrecer for apenas um desejo. Levem os problemas com bom humor, lutem com a arma da felicidade. Sejam felizes!

Por nossa amiga e leitora Dayane.