Precise do SAMU ou dos bombeiros sendo obeso e leve duas portas na cara. Pergunte-nos como!

Precise do SAMU ou dos bombeiros sendo obeso e leve duas portas na cara. Pergunte-nos como!

Por Janaína Calaça

Se vc vive no Brasil, assim como nós, paga seus impostos e acredita que, no momento que precisar do atendimento de serviços públicos como o SAMU ou do Corpo de Bombeiros, eles te atenderão sem restrições, adicione uma exceção a essa regra ilusória.

Ontem, dia 16/01/2012, meu esposo, Erik Araújo, que anos atrás sofreu um acidente e lesionou duas vértebras, teve uma crise de coluna (como as que aconteciam de época em época após este acidente), o que o fez não conseguir se manter de pé. A dor era tamanha e tão incapicitante, que decidimos correr para o hospital.

Como não sei dirigir e como ele não se mantinha de pé, nem colocá-lo no táxi seria possível. Não teria como conduzi-lo sozinha até a rua. Diante da piora da dor, decidimos que o melhor seria chamar o SAMU para que nos ajudassem a levá-lo até o hospital. Ligamos para lá, explicamos o caso e o SAMU pegou nosso endereço e dados para enviar a equipe. Falei para o Erik que era preciso sinalizar a questão do peso, para que enviassem uma cadeira de rodas ou uma equipe maior para o caso de levá-lo em uma maca. Foi aí que cometi o erro. No momento que o Erik sinalizou que é obeso, o SAMU mudou o discurso e afirmou que não teria estrutura para levá-lo até o hospital e que o melhor era que ligássemos para o Corpo de Bombeiros, que estaria mais preparado nestes casos. 1ª porta na cara.

Ligamos para o Corpo de Bombeiros pedindo ajuda. Novamente, quando o Erik falou de seu peso, o mesmo retorno. Não seria possível levá-lo até o hospital e a desculpa era a de que não se tratava de um acidente, logo eles não poderiam priorizar este atendimento e pediram que ligássemos para o SAMU, para que levassem o Erik ao hospital. Opa! Na altura do campeonato, já brincávamos de peteca.

RESULTADO: Ligamos para um amigo nosso, o Marcelo, e ele e sua esposa foi quem nos ajudaram a levar meu esposo ao hospital. Erik não conseguia se manter em pé e muito menos andar. Como chegamos com ele até o carro? Tivemos que colocá-lo em uma cadeira de escritório com rodinhas, para conseguirmos levá-lo até o carro e, posteriormente, até o hospital. Pois é. Em uma CADEIRA DE ESCRITÓRIO! Tudo que precisávamos era de uma cadeira de rodas para transportá-lo naquele momento e de um serviço público, que pagamos com nossos impostos, que funcionasse para todos. Atendimento universal, SAMU? Uhum. Seja obeso e se ferre. Talvez seja esse o lema.

Aí eu me pergunto… E se tivéssemos omitido a informação? Eles teriam vindo, não? O SAMU teria que se virar para prestar o atendimento, não? E quem não tem amigos, nem família e que vive só em uma cidade grande como São Paulo? Imagino se o Erik estivesse só, não tivesse nem amigos prestativos e presentes e família e o mesmo acontecesse? E se ele caísse, ficasse estirado no chão, pedisse ajuda e a recusa viesse, como seria? Tratamento humano, hein?

Uma cidade e os serviços públicos têm que estar preparados para atender a todos indiscriminadamente, afinal, quando pagamos nossos impostos (que não são poucos) não se diferencia quem é gordo ou magro, quem está nos padrões ou não. Os impostos vêm para todos, logo os direitos supostamente garantidos também. Mas, no fim, os direitos são sempre garantidos no discurso, mas palavras não são suficientes para resolver um problema quando este acontece.

6 comentários

  1. lamentável o ocorrido, eles julgam e nos trata como se não fossemos humanos e pelo fatos de sermos gordos não precisamos de cuidados tb,,,isso é um absurdo!!!

  2. depois quando falo que o brasileiro é racista e preconceituoso, falo demais. ,as tem que falar sim, falar na cara, essa gente não nos respeita: governo, bancos…
    veja meu exemplo: meu nome é estranjeiro, e no pais de origem daniele é nome de homem. a mulher que me ligou do banco me perguntou 3 verzes? VOCE TEM ESSE NOME? ESSE É SEU NOME? COMO É QUE VOCE TEM ESSE NOME? ora, não existem outros paises ai fora? não existem chineses, russos, italianos… vivendo aqui?
    o dinheiro que pagamos em i,mpostos vai no bolso do prefeito…, infelizmente. e onde3 ta a lei que nos protege de preconceito? nem os negros o brasileiro respeita. uma minoria respeita, mas a maoiria…

    NÃO LIGA, O JEITO É SEGUIR EM FRENTE E QUEM SABE UM DIA ESSE MENTALIDADE ERRADA DO BRASILEIRO MUDA: E DEPOIS QUEREM FAZER A COPA DO MUNDO AQUI? DESSE JEITO?

  3. Nossa menina que tristeza, mas é a realidade.
    Entrem no meu blog gente… beijinhos

  4. Que falta de compaixão e humanidade,e ainda dizem viver em uma sociedade justa.Onde tem essa justiça???Lastimavel as pessoas precisarem e darem com a cara na porta.
    Mas meus parabéns a esposa,que tomou uma atitude chamando amigos para a socorrer,sem ficar mendigando mais,ligando pra esse e aquele e de volta pra esse.Mulher de fibra vc….Quem tem amigos tem um TESOURO!!!!!!!!!!!!Espero que o Erik fique bom é o meu sincero desejo….bjs

  5. Adorei a blusa dela, super romântica!!!!!!!!!!

  6. Minha cara lamental o ocorrido,fico triste,e mais ainda quando penso,que vc e seu marido,nao foram e nem serao os primeiros a sofrer com o descaso e incompetencia dos nossos orgaos publicos e pior ainda pagamos pra sermos tratados desta forma,triste,muito triste.Desejo melhoras para o Erik

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