Não combatemos o preconceito aos gordos com preconceito aos magros

Foto: As meninas do Brasil, obra de Eliana Kertesz.

Um dos grandes desafios enfrentados por indíviduos com sobrepeso e obesidade, sem dúvidas, é o preconceito. O preconceito nada mais é que um conceito formado previamente e que sempre acaba por ser reducionista e equivocado. Até hoje convivemos com discursos do tipo: “as pessoas gordas são lentas”; “as pessoas gordas são preguiçosas”; “as pessoas gordas são obcecadas por comida”. Infelizmente, ainda temos que lidar com estes conceitos pré-formados, reiterados e disseminados dia a dia, que só colaboram para a marginalização de quem faz parte desta fatia da sociedade.

Foto: As meninas do Brasil, obra de Eliana Kertesz.

É muito comum que as pessoas, que sofrem qualquer tipo de preconceito, acabem por adotar uma postura de negação da ponta que é considerada padrão. Assim foi com relação à luta dos negros por respeito e espaço, assim foi com relação à luta dos homossexuais por seus direitos e assim também é em relação aos gordinhos. Quando somos machucados, é difícil não assumir uma postura reacionária e negar também a outra ponta, mas a questão que lanço é: seria este o melhor caminho para lidar com o preconceito e educar a sociedade para a compreensão das diferenças?

Nossa história é pontuada de passagens em que grupos, que se consideram superiores, tentam justificar a violência física e cultural aplicada em relação aos grupos considerados “inferiores”, baseados em um discurso que sempre prima pela homogeneização e pela eliminação das diferenças. Nossa história também é pontuada pela reação dos grupos discriminados. Geralmente ou o enfrentamento se dá devolvendo “na mesma moeda” ou através de uma luta consciente, através da argumentação, da leitura crítica da sociedade, das intervenções seja através da política, seja através da arte, etc.

Foto: As meninas do Brasil, obra de Eliana Kertesz.

Faço parte do grupo que discorda completamente que se combate o preconceito gerando outro. Nenhuma violência justifica gerar outra violência. Não é porque presenciamos episódios lamentáveis como o apartheid, que este deva acontecer na contramão. Não é porque grupos de homossexuais sofreram e ainda sofrem com a estupidez de alguns grupos, que todos os heterossexuais devam ser condenados. Não é porque somos discriminados pelo nosso peso, que devamos condenar as pessoas magras, que teoricamente são as representantes deste padrão, que tanto nos sufoca e marginaliza.

Como disse, há formas de se combater o preconceito e não é através da construção de outros discursos equivocados e excludentes. Não é porque sofremos preconceito porque somos gordos, que devemos devolver a moeda, construindo uma rejeição aos magros. Sou a favor sempre do enaltecimento das diferenças e da convivência entre elas. Nosso dever? Sermos mais críticos em relação à sociedade em que vivemos, e estarmos sempre dispostos a argumentar contra o preconceito, sem gerar outros. Como disse, há maneiras de mandar um recado sem agressividade, sem desrespeito, como por exemplo artistas como Fernando Botero, como Eliana Kertz, que enfeitou com esculturas lindas de gordinhas a orla de Ondina(Salvador-BA). É preciso criar espaços, mas sempre tendo em vista que o processo precisa avançar e não retroceder e não há nada que signifique mais retrocesso que a reiteração do preconceito.

 Por nossa colunista Janaína Calaça.

11 comentários

  1. Belíssimo texto, concordo completamente!

    Não sou fã de frases como “os homens preferem as gordinhas” ou “as gordinhas são as melhores”, porque ninguém é melhor que ninguém e graças a deus existe gosto pra todos os tipos de pessoas.

  2. Jana, pra variar seus textos sao otimos e eu tbm concordo com tudo q vc falou.. nao adianta tentar combater uma coisa agindo da mesma forma. Espero que o mundo entenda isso.
    Estava com saudades dos seus textos.. BEIJOS

  3. Litha, Livia, obrigada pela leitura atenta ao texto. Precisamos, aos poucos, combater o preconceito, mas de uma forma inteligente sempre. Gerar outro preconceito para justificar a aversão à discriminação de alguns não ajuda, ao contrário, só torna ainda mais complicada a convivência em sociedade.

    Beijão

    Jana.

  4. Jana,
    Seu texto é otimo, pois não devemos ter o preconceito de nda pois com diz a frase: Preconceito gera preconceito,eu particularmente não sou uma pessoa preconceituosa, quando alguem fala á prefiro as Gordinhas pq elas tem onde pegar, ai eu falo cada um é cada um independente do seu tipo físico, lembrei de outro detalhe tenho uma colega que não gosta de ser Japonesa , sempre falo p ela , não nega o que vc é!!
    Enfin preconceito, e quando não temos um conceito formado, pois eu tenho um conceito bem formado de tdo , somos o que somos , nunca devemos negar , somos seres unicos com qualidades e defeitos, bjkas!!!

  5. sou de salvador, e sempre passo por esse lugar onde está a escultura.São bonitinhas……

  6. Faço minhas as suas palavras.
    Obrigada!

  7. Ola,

    Apoio a idéia de não existe classificação. Quando se criou a idéia de ser gordo é isso e magro é aquilo, criou-se o estereótipo. Este próprio que etiqueta as pessoas. Até mesmo porque acho ofensivo dizer “Gordinho(a)” ora são pessoas como qualquer outra.

    Realmente existe uma falta de informação por parte de muitas pessoas acharem que certos sinônimos como li em outro blog (Virtudes) que gordo é relaxado, preguiçoso e tal. Pelo que eu sei, estas é uma das classificações de maioria “humana”.

    Só espero que o pessoal que acha que esta acima do peso, ou já foi chamado de gordo ou outros ‘apelidos’ não se esqueça que quem faz isso geralmente esta com um problema imenso (conhecido universalmente por Bully). Então nem se magoem, quanto mais ficaram se sentindo culpados, pior.

    E por incrivel que pareça, pessoas com aparência corpulenta eram simbolos artisticas há 200 anos, agora é obeso? Tudo bem que algumas pessoas estejam a passar do seu peso, mas é motivo de chacotas? Não. É um bom momento para dizer – “Bom dia”.

    Att,
    Rafael Junqueira.

  8. essas gordinhas representa uma africana , indiana e portugesa .,cada uma estar apontando para cada pais

  9. como nos gordinhas sofremos preconceito estou cansada disso

  10. Olha… não concordo com o preconceito. Não concordo também em combatê-lo com mais preconceito. Agora, não concordo em fingir que não há um problema. Negros nasceram negros. Gordos não nasceram gordos. Ser negro, por exemplo torna a pessoa melhor que outras em alguns detalhes (menor risco de cancer de pele) e pior em outros (anemia falceforme). Agora estar muito acima do peso é um problema adiquirido e deve ser tratado, pois não traz nenhuma vantagem ao ser humano. Acelera a morte. Além do incômodo social: maior gasto de comida, roupas, água, espaço, etc. Um único indivíduo gordo não gera tantos problemas para a sociedade, mas imagine um país inteiro de obesos. Os EUA que o digam. Então, eu não tenho preconceito com alguem gordo, eu tenho um conceito bem formado e uma boa dica de saúde para estas pessoas doentes fisicamente.

  11. olhaa o preconceiito éh feio gustavoo eu respeitoo sua descrição em que obesidade leva aaa varíos ploblemas e leva a mortee . Mais olha os gordinhus sofren tamto com o preconceitooo eu achooooooooooooooo issoo uma injustiçaa o que ofende aas pessoas ou seja por obesidade ou por racismo . não olha a ci mesmo acho que a pessoa nunca se olhou no espelho . para falar de outra pessoa . eu acho isso

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